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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Meu valioso tempo





"O Valioso Tempo dos Maduros".
É do Mário de Andrade, mas expressa tão bem como me sinto que queria ter escrito.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Alfadogbeto


Bonito em casa, na petshop, no consultório veterinário...





Se eu tivesse em casa tudo que vejo com/sobre cães e gosto, meu apartamento teria todas as paredes cobertas. :P

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Humanos de Nova Iorque


Era para ser um censo fotográfico com 10.000 fotos de pessoas de Nova Iorque, mas quanto mais contato Brandon Stanton tinha com as pessoas mais o projeto se alterava e acabou como um blog com histórias de vida, relatos, citações e outras informações que tem milhares de seguidores do mundo todo.





Humans of New York, passe no site ou no tumblr para ver mais.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Mario Quintana, 106 anos

Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.
(Mario Quintana para a revista Isto É, 14/11/1984)


O Poeta é Belo


O poeta é belo como o Taj-Mahal
feito de renda e mármore e serenidade

O poeta é belo como o imprevisto perfil de uma árvore
ao primeiro relâmpago da tempestade

O poeta é belo porque os seus farrapos
são do tecido da eternidade

(Esconderijos do Tempo)
 
 
 
 
 
 
 
"O mais irritante em nos transformarem um dia em estátuas é que a gente não pode coçar-se."

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Com açúcar e com talento


A artista canadense Shelley Miller levou a idéia de arte urbana a um novo nível, criando elaborados murais completamente feitos de açúcar.

Usando glacê de bolo ela reproduz azulejos portugueses e cerâmicas. Inspirada pela caligrafia, arabescos, mosaicos antigos, arquitetura, templos, mesquitas e design têxtil, Shelley dá aos estilos destes elementos uma releitura em um meio solúvel em água.

As frágeis peças podem desaparecer a qualquer momento com a chuva, mas enquanto não desaparecem é possível ver crianças quebrando pedaços para comer.









Mais trabalhos de Shelley Miller no site e no blog dela.

Recomendo!

domingo, 18 de março de 2012

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dia nacional da poesia e dos animais

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto;
alimentam-se um instante em cada
par de mãos e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Os Poemas
Mario Quintana




quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Matéria de poesia

Todas as coisas cujos valores podem ser
Disputados no cuspe da distância
Servem para poesia

O homem que possui um pente
E uma árvore
Serve para poesia

Terreno de 10x20, sujo de mato - os que
Nele gorjeiam: detritos semoventes, latas
Servem para poesia

Um chevrolé gosmento
Colecção de besouros abstémios
O bule de Braque sem boca
São bons para poesia

As coisas que não levam a nada
Têm grande importância
Cada coisa ordinária é um elemento de estima
Cada coisa sem préstimo
Tem o seu lugar
na poesia e na geral

O que se encontra em ninho de joão-ferreira:
caco de vidro, grampos,
Retratos de formatura
Servem demais para poesia

As coisas que não pretendem, como
Por exemplo: pedras que cheiram
Água, homens
Que atravessam períodos de árvore,
Se prestam para poesia

Tudo aquilo que nos leva a coisa nenhuma
E que você não pode vender no mercado
Como, por exemplo, o coração verde
Dos pássaros
Serve para poesia

As coisas que os líquenes comem
-sapatos, adjectivos-
têm muita importância para os pulmões
da poesia

Tudo aquilo que a nossa
Civilização rejeita, pisa e mija em cima,
Serve para poesia

Os loucos de água e estandarte
Servem demais
O traste é óptimo
O pobre diabo é colosso
Tudo que explique
O alicate cremoso
E o lodo das estrelas
Serve demais da conta

Pessoas desimportantes
Dão pra poesia

Qualquer pessoa ou escada
Tudo que explique
A lagartixa de esteira
E a laminação de sabiás
É muito importante para poesia

O que é bom para o lixo é bom para a poesia

Importante sobremaneira é a palavra repositório;
A palavra repositório que eu conheço bem:
Tem muitas repercussões

Como um algibe entupido de silêncio
Sabe a destroços
As coisas jogadas fora
Têm grande importância
-como um homem jogado fora
Aliás é também objecto de poesia
Saber qual o período médio
Que um homem jogado fora

Pode permanecer na terra sem nascerem
Em sua boca as raízes da escória

As coisas sem importância são bens da poesia
Pois é assim que um chevrolé gosmento chega
Ao poema, e as andorinhas de junho.


Manoel de Barros
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